O que fazer em Florianópolis sem carro e gastando pouco (minha experiência)

O que fazer em Florianópolis sem carro
Foto: Classe Viajante – Praia dos Ingleses

“Floripa só se for de carro pra conhecer todas as praias.”

Foi isso que li em praticamente todos os blogs e fóruns quando comecei a pesquisar sobre a ilha. E confesso: por um tempo, acreditei. Achei que só dava pra conhecer Florianópolis de verdade se eu alugasse um carro, rodasse de norte a sul, visitasse todas as praias de uma vez… e fizesse o “roteiro completo”.

Mas como eu sou do contra, não comprei essa ideia tão fácil.

Pensei: não é possível que só exista um jeito de conhecer esse lugar.


E como já fazia meses que eu assistia vlogs de viagem sobre Floripa e sonhava em ir, decidi procurar um caminho diferente — do meu jeito, no meu ritmo, sem carro, sem correria, sem obrigação de ver tudo.

Foi aí que, sem muita esperança (e quase no susto), encontrei uma hospedagem inacreditável: um hostel com quarto individual, banheiro privativo, em pleno feriado da Páscoa, por R$250 o período. Sim, isso mesmo: R$50 por dia para o casal.

Na hora pensei que era golpe, que tinha alguma coisa errada. Mas era verdade. E ali, naquele simples clique, a viagem começou.

Se você tá buscando ideias do que fazer em Florianópolis gastando pouco, esse post pode te inspirar — aqui eu conto como foi viver Floripa no meu tempo, com pouco dinheiro e muita vontade de aproveitar tudo o que dava.

A crença de que Floripa só vale a pena com carro (e como quase desisti da viagem)

Quando a ideia de viajar pra Floripa surgiu, eu já tinha escutado de tudo: “a ilha é enorme”, “sem carro você não conhece nem metade”, “tudo fica longe”.

E confesso que isso me fez pensar duas vezes. Cheguei a desistir da ideia. Fechei o navegador várias vezes e pensei: deixa pra lá, talvez seja melhor outro lugar.

E ainda teve o fator preço. A primeira vez que busquei hospedagem, me deparei com valores altíssimos — especialmente por ser época de Páscoa. O que eu fiz? Fechei todos os aplicativos e falei pra mim mesma: daqui uns dias vai baixar, aí eu vejo de novo. Quem nunca, né? 😂

Eu sou assim: quando me assusto com o valor, paro de ver, deixo pra depois. E foi esse “depois” que virou o meu ponto de sorte — e o início de uma das viagens mais surpreendentes que já fiz.

A surpresa do hostel: como encontrei uma hospedagem barata no feriado (sem nem estar procurando direito)

Um dia, sem expectativa nenhuma, resolvi dar uma última olhada. Nem lembro exatamente o motivo, só sei que abri o app do Booking no meio da correria, como quem não quer nada, e pesquisei as datas do feriado da Páscoa: 1º a 7 de abril.

E aí aconteceu: uma hospedagem apareceu na minha frente como se tivesse sido colocada ali só pra mim. Um hostel com quarto individual, banheiro privativo, em pleno feriado, por R$250 o período. Isso dava R$50 por dia — pro casal.

Eu não acreditei. Juro que achei que era golpe, que tinha algum erro, ou que o quarto era compartilhado com 12 pessoas e uma galinha. Li a descrição duas, três vezes. Era real. E não pensei duas vezes: fechei a reserva.

Um detalhe importante: a limpeza geral do hostel, na época, não era das melhores. Nada grave, mas dava pra perceber que o espaço estava precisando de um certo cuidado. Como o valor foi realmente muito baixo — R$250 o período inteiro, em pleno feriado — eu fui sem grandes expectativas.

Hoje em dia, o lugar parece estar mais organizado. Pelo que vi, o mesmo casal continua administrando o hostel, mas ele passou por melhorias e tem avaliações bem melhores. Ou seja: tudo indica que o cuidado aumentou desde a época em que estive lá.

Mas quis deixar registrado aqui como foi a minha experiência real naquele momento.

Essa viagem começou assim, no susto. Sem muito planejamento. Sem carro. Sem um roteiro na cabeça. Mas com uma vontade enorme de viver tudo aquilo do meu jeito — e um alívio no bolso logo de cara.

Conhecendo Florianópolis sem carro: sim, é possível (e deu certo)

o que fazer em florianopolis sem carro
Foto: Classe Viajante – Terminal Tican (Canasvieiras)

A verdade é que dá sim pra você conhecer várias praias e lugares lindos em Florianópolis sem carro, só com transporte público. E mais: foi uma experiência leve, diferente, às vezes cansativa (eu diria “andativa”), mas muito recompensadora.

A chegada foi no sábado, e como a reserva no hostel começava só na segunda, encontramos um Airbnb na Praia dos Ingleses. Foi ótimo, porque já começamos com o pé na areia: a praia era deliciosa e dava pra ir a pé.

A partir dali, montamos nosso “roteiro do dia” com base em uma lógica muito simples: acordar, pesquisar no Google Maps a praia que queríamos conhecer, ver os horários dos ônibus e ir. Sem drama, sem planilha.

Eu e meu marido no Forte e lá embaixo a praia Jurerê Internacional
Foto: Classe Viajante – Eu e meu marido no Forte e lá embaixo a praia Jurerê Internacional

Conhecemos tudo isso de ônibus:

  • Praia do Santinho (com uma aventura por uma propriedade privada no caminho — conto já!)
  • Praia de Jurerê Internacional e o forte ao lado, com vistas espetaculares!
  • Uma passada pela Praia da Daniela.
  • Praia Brava, com garoa e neblina, mas linda mesmo assim!
  • A espetacular Praia da Joaquina, que estava cheia, mas conseguimos um lugar bem vazio!
  • E até o centrinho de Floripa e o Mercado Público, no último dia, com direito a guarda-volumes na rodoviária pra circular tranquila

Andamos muito. Muito mesmo. Inclusive entre o hostel no Santinho e a Praia dos Ingleses — uma caminhada de uns 40 minutos que a gente apelidou de “leve sofrimento” (kkk).


E sim, usamos ônibus praticamente o tempo todo, exceto por duas corridas de Uber (uma pra trocar de hospedagem e outra até a Praia Mole).

Os ônibus funcionam super bem: os terminais são organizados, e as linhas te levam direto pra praia — tipo, o ponto final é literalmente na beira da areia.

Mas claro, não quero romantizar aqui: o sistema de transporte público de Florianópolis não é 100% perfeito. Funciona com baldeações, o que significa que em algumas rotas é preciso trocar de ônibus pra chegar ao destino final.

Às vezes o trajeto era mais demorado mesmo — especialmente na volta da praia, quando bate aquele cansaço. Teve dia que eu dei até umas cochiladas no ônibus.

E uma coisa importante: não fiz nenhum cartão de bilhete turístico. Durante toda a viagem, paguei as passagens em dinheiro, direto no ônibus, e funcionou bem pra mim — mesmo usando transporte público quase todos os dias.

Mas se você quiser mais praticidade, Florianópolis oferece o Cartão SIM Turista, uma opção pensada especialmente pra quem visita a cidade e quer ter mais mobilidade com um custo-benefício melhor. Pode valer a pena se você pretende pegar ônibus com frequência ou evitar andar com trocado por aí.

O mais importante: eu estava disposta a viver essa experiência.
E viver devagar, no meu ritmo, fez parte do encanto dessa viagem.
Nada disso impediu a gente de conhecer tudo o que queria.

Praia do Santinho: o dia em que a gente se perdeu (e encontrou mais do que esperava)

Um dos momentos mais curiosos da viagem aconteceu quando decidimos ir à Praia do Santinho — que, aparentemente, ficava ali pertinho do nosso hostel.

A gente via o mar de longe, do alto. Aquela vista linda, azul, parecendo dizer: vem cá.
Só que… não tinha entrada.

Andamos pela avenida, olhamos pros dois lados, abrimos o Google Maps, demos zoom, perguntamos ao vento… nada. Nenhuma placa, nenhuma trilha, nenhum caminho claro até a areia.

Foi aí que vimos uma espécie de fazenda. Um terreno grande, com vegetação e uma vibe de “não é aqui, mas talvez seja”.
E como tinha gente passando por lá, a gente pensou: só pode ser aqui mesmo.

Entramos. Andamos. E andamos mais. Um caminho meio escondido, cheio de mato, dunas, vento na cara e até um cachorro fofo que pediu carinho no meio do trajeto (óbvio que ganhou).
E então, do nada, a praia apareceu. Grandiosa, linda, imensa. Um daqueles momentos que parecem recompensa por não ter desistido.

A gente não entrou no mar — já estava tarde —, mas ficamos ali por um tempo, só olhando. Admirando. Com a sensação de que às vezes os caminhos mais bonitos são mesmo os que a gente descobre “no improviso”.

E pra quem quiser saber: sim, dá pra chegar à Praia do Santinho — mas às vezes o melhor caminho é aquele que a gente descobre sem querer.

Quanto gastamos (e como economizamos mesmo viajando em feriado)

A gente não estipulou um valor fixo pra gastar. Só sabíamos que não podia ser muito.

A ideia inicial era ir de ônibus de São Paulo até Florianópolis — uma viagem de cerca de 12 horas. Mas eu não queria perder nem um minuto dessa experiência. Então, na minha clássica busca “de última hora” (sim, de novo 😅), um dia antes da viagem, entrei no site das companhias aéreas pra ver “só por curiosidade” e… achei.

Passagens aéreas por R$240, ida no sábado pela manhã, 10h40.
Era praticamente o mesmo preço do ônibus, só que com chegada muito mais cedo — o que nos daria tempo de aproveitar o dia inteiro. Não pensei duas vezes. Na impulsividade planejada (meu estilo preferido), fechei.

Mas onde a gente mais economizou mesmo foi na hospedagem:

  • 5 diárias no hostel com quarto e banheiro privativo por R$250 o casal
  • + 2 diárias num Airbnb nos Ingleses por R$240 (quase o mesmo preço dos 5 dias!)

Outro ponto importante foi a alimentação. As duas hospedagens ficavam próximas de um mercado Atacadão Brasil, o que salvou o orçamento. Compramos comidas congeladas, frutas, água de coco, snacks e tudo o que dava pra preparar ou esquentar no micro-ondas das acomodações.

Nas idas à praia, já saíamos equipados: água, frutas, lanches e salgadinhos. Pode não ter sido a alimentação mais saudável do mundo, mas funcionou muito bem — e economizamos uma boa grana sem abrir mão de curtir.

Ah! E claro, teve um dia especial em que abrimos uma exceção: pedimos uma pizza quatro queijos que estava simplesmente sensacional. Não lembro o nome da pizzaria (infelizmente!), mas o sabor ficou na memória até hoje. Foi aquele tipo de momento simples que fecha o dia com chave de ouro.

Resumo dos nossos gastos (aproximados):

  • ✦ Passagem aérea (ida): R$240 por pessoa
  • ✦ Passagem de ônibus (volta): R$180 por pessoa
  • ✦ 7 diárias (5 no hostel + 2 no Airbnb): R$490 o casal
  • ✦ Alimentação, transporte e extras: não anotamos tudo e também não me lembro exatamente, mas chuto que tenha ficado em torno de R$1200 (o casal)

Dica importante: esses valores são referentes à nossa viagem em abril de 2023, no feriado da Páscoa — e foram possíveis graças a muita pesquisa, sorte com a hospedagem e escolhas simples (mas bem pensadas!).

O que essa viagem me ensinou

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Foto: Classe Viajante – Dunas da Praia do Santinho

Floripa me ensinou que não existe um jeito certo de viajar. A gente ouviu que precisava de carro, de planejamento milimétrico, de orçamento alto, de tempo sobrando. E a gente foi do nosso jeito: com vontade, com confiança e com coragem de fazer dar certo.

Usamos ônibus, andamos muito a pé, comemos comida congelada no micro-ondas, nos perdemos, nos achamos, encontramos caminhos onde o Google Maps não mostrava.
 

E no fim, conhecemos praias incríveis, paisagens que vou guardar pra sempre, e vivemos dias que foram nossos — não dos outros, não do “jeito certo”, mas do nosso jeito.

Essa viagem não foi sobre marcar todos os pontos turísticos da ilha. Foi sobre caminhar com calma, se surpreender com o que aparece no meio do caminho, rir das situações inusitadas e sentir que, sim, a gente pode viver coisas incríveis mesmo com pouco.

E talvez seja esse o segredo: não deixar de viver por achar que ainda não dá. Às vezes, tudo o que a gente precisa é abrir o mapa, respirar fundo, e dar o primeiro passo. ♥

E você, já viajou sem carro por Floripa ou por outro lugar? Me conta nos comentários como foi sua experiência — ou se esse post te inspirou de alguma forma. Vou adorar saber.

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